Norbert Lieth

No Evangelho de João encontramos uma série de testemunhos de Jesus sobre Si mesmo, por exemplo:

  • “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (João 6.35).
  • “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8.12).
  • “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” (João 10.9).
  • “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (João 10.11).
  • “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11.25).
  • “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6).
  • “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (João 15.1).

Quando a samaritana disse a Jesus: “Eu sei… que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas” (João 4.25-26), o Senhor lhe respondeu:“Eu o sou, eu que falo contigo” (versículos 25-26).

Quando Pilatos perguntou: “Logo, tu és rei?”, Jesus respondeu: “Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (João 18.37).

Jesus é “o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”

Os discípulos ouviram todos esses testemunhos de Jesus sobre si mesmo e viram Suas obras e Seus milagres. Imaginemos estar frente a frente com alguns dos primeiros cristãos, tendo a oportunidade de entrevistá-los acerca de sua fé em Jesus Cristo. Talvez acontecessem os seguintes diálogos:

Pedro

Pedro, afinal de contas, por que você tornou-se cristão? Você era um homem que sabia se impor. Você tinha profissão e sustento próprios. Você era bem casado e sua sogra era muito querida. Você era um líder nato e um judeu legítimo, consciente da realidade. Você sabia o que queria na vida. Você não parava para pensar por muito tempo, desembainhando a espada com rapidez. Por que você tornou-se cristão? Por favor, responda-nos em poucas palavras!

– Sim, posso fazê-lo de maneira breve e concisa: “Nós temos crido e conhecido que tu és o santo de Deus” (João 6.69). “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16.16). Em outras palavras: Eu e os outros apóstolos convivemos com Jesus, ouvimos o que Ele pregava, conhecemos Sua maneira de viver, pois estivemos com Ele quase diariamente por três anos. Por isso, agora estou bem certo: Jesus é realmente o Cristo prometido! E por essa razão, como judeu, tornei-me crente em Jesus.

Paulo

Paulo, por que você tornou-se cristão? Você era fariseu* e se empenhava com todas as forças para defender a lei de Deus. Você era um homem intelectual e culto. Mas você odiava a Jesus e Sua Igreja, perseguindo os crentes até a morte. Você queria obrigar os Seus seguidores a negar o Nome de Jesus. Por que hoje tudo é tão diferente em sua vida?

– Sou um seguidor de Jesus porque uma coisa extraordinária aconteceu comigo quando me encontrava a caminho de Damasco, para perseguir os crentes de lá: “… indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o sol, que brilhou ao redor de mim e dos que iam comigo. E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões. Então, eu perguntei: Quem és tu, Senhor? Ao que o Senhor respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 26.13-15).

– E isso produziu uma grande mudança em sua vida, não foi?

– Sem dúvida!

– Antes do episódio de Damasco você estava empenhado com todo o seu zelo em sufocar a fé das pessoas em Jesus Cristo, que estava se alastrando cada vez mais. Você certamente poderia ter tido uma carreira brilhante pois era um fariseu muito conceituado. Mas hoje, alguns anos depois, o que você pensa sobre Jesus?

– “Uma coisa tornou-se bem clara para mim: todas as outras coisas perdem o valor quando comparadas com o ganho inestimável de conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Deixei de lado todas as outras coisas, achando que tudo valia menos do que nada, a fim de ter a Cristo (Filipenses 3.8, A Bíblia Viva). “…em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (Atos 20.24).

Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”

João

João, porque você e seu irmão Tiago tornaram-se cristãos, abandonando o barco de pesca do seu pai? Vocês eram homens de personalidade tão marcante, que chegaram a ser chamados de “filhos do trovão”! A expressão “com eles não se brinca”, poderia muito bem ser aplicada a vocês. Mas de repente, João, você passa a ser chamado de “apóstolo do amor”. Como se explica isso?

– Explico com prazer: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada)” (1 João 1.1-2).

A Bíblia Viva diz: “Cristo estava vivo quando o mundo começou, entretanto eu mesmo O vi com os meus próprios olhos e O ouvi falar. Eu toquei nEle com as minhas próprias mãos. Ele é a mensagem da Vida enviada por Deus. Este que é Vida que vem de Deus foi revelado a nós e nós asseguramos que O vimos; eu estou falando de Cristo, Aquele que é a Vida eterna. Ele estava com o Pai e depois foi revelado a nós.”

– Você está afirmando que a vida de Jesus e a vida que Ele dá aos que O seguem é eterna?

– De fato, pois: “o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo” (1 João 1.3).

– João, por favor, desculpe-me, mas você tem certeza que está perfeitamente sóbrio? Você sabe o que está dizendo? Com essa declaração você está colocando Jesus Cristo acima de todas as pessoas que viveram até hoje! Você está consciente de estar concedendo a Jesus uma grandeza que excede de longe a todos os outros “grandes” deste mundo?!

– Claro! “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1.14).

– Mas João, será que você não está exagerando cada vez mais? Você percebe que, com o que acabou de dizer, está afirmando que em Jesus vemos o Pai? Obviamente você está aludindo ao Tabernáculo.* Lá a glória de Deus se manifestava, e você afirma que Jesus é essa glória? Você já imaginou os israelitas ouvirem o que você está dizendo…!?

– Não se preocupe, sei muito bem o que digo. Pois, “ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito (Jesus), que está no seio do Pai, é quem o revelou” (João 1.18).

– João, por favor, permita-me citar um comentário escrito sobre o que você acabou de dizer: “Para os judeus não havia nada maior que a Lei. O maior anseio de todos os homens, no fundo, é ver a Deus. E aqui está quem é maior que a Lei. Aqui está a satisfação de todos os anseios: através de Jesus, que é inteiramente um com o Pai e busca exclusivamente o que é de Deus, ficamos conhecendo tudo o que é essencial sobre Deus. Por Seu intermédio obtemos tanto a graça como a sabedoria.” Não é verdade? Você certamente concorda com isso?!

– Sim, esse comentário reflete muito bem o que estou dizendo.

A samaritana de Sicar

Os samaritanos de Sicar eram homens, mulheres e crianças, jovens e velhos. Pergunto-lhes: porque vocês tornaram-se cristãos? Por acaso, vocês deram ouvidos às palavras de uma mulher?

– Não, não foi o que fizemos. Deixamos bem claro para a mulher que não estávamos apenas acreditando no que ela nos contava: “Já agora não é pelo que disseste que nós cremos; mas porque nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (João 4.42).

O centurião ao pé da cruz

Como centurião romano você certamente viu muitas pessoas morrendo na cruz e provavelmente também comandou a crucificação de Jesus. Além disso você era devotado de corpo e alma ao imperador romano, que reivindicava ser deus. Sua profissão, seu salário, seu futuro e até sua vida estavam em jogo nessa execução. Imagino que sua posição como centurião exigia maturidade e visão, e que você já tinha sido aprovado em situações difíceis anteriormente…

– Sim, eu estava acostumado com tudo. Conheci muitas pessoas, conheci soldados heróicos e oficiais nobres, dignos de admiração. Vi muita gente morrendo. Vivenciei seus últimos momentos e ouvi seus gritos, suas blasfêmias e seus lamentos. Mas ninguém morreu como Jesus! Eu O ouvi orando pelas pessoas que O crucificavam. Observei-O falando com Sua mãe e com um dos Seus discípulos, mesmo em meio ao maior sofrimento. Presenciei o diálogo que Ele teve com um malfeitor crucificado ao Seu lado, a quem prometeu o reino dos céus. Também ouvi quando Ele clamou: “Está consumado!” Quem de nós poderia falar algo semelhante no final de sua vida? A vida de Jesus demonstra que Ele fez tudo de maneira correta e concluíu com absoluta perfeição tudo o que começou. Isso tudo não me permitiria outra conclusão do que dizer: “Verdadeiramente, este homem era o filho de Deus” (Marcos 15.39).

Jesus disse:“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Todos estes testemunhos combinam com o que alguém disse certa vez, baseado em Filipenses 2.9 – “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome”: “Para muitos, Jesus é apenas uma figura apropriada para uma pintura, o herói de um romance, um belo modelo para uma escultura ou o tema para uma canção. Mas para os que ouviram Sua voz, experimentaram Seu perdão e sentiram Suas bênçãos, Ele é aconchego, luz, alegria, esperança e salvação, um amigo que não nos abandona jamais, que nos levanta quando estamos prostrados”.